domingo, julho 03, 2005

DEONTOLOGIA.

Num mundo onde grassa, com alguma frequência, em variadíssimas profissões, uma certa falta de profissionalismo, associada a um deprimente marialvismo, tanto um como outro tristemente atávicos e extemporâneos, quero deixar aqui a memória de um acontecimento que evidencia o carácter recto e impoluto de um ilustre médico psiquiatra da nossa Invicta.
A paciente era jovem e supostamente bonita e inteligente, mas, em plena fase de transfert, não resistiu a convidar o médico para tomarem juntos um inocente café. Do alto da sua imperturbável capacidade de ouvir, ele só mudou o tratamento com que se lhe dirigiu, Sr.ª Dr.ª, desculpe, mas não posso. Mas porquê???... Insistiu ela, despudorada, nem parecia ser quem era… E ele, bonito de morrer, achava ela, no seu fato escuro, de corte impecável, perna cruzada, cabelos levemente grisalhos, inteligente e racional, esclareceu: Porque a Sr.ª Dr.ª é minha paciente. E ela, perdido por dez, perdido por cem, Pois agora deixei de o ser, não vou ser mais sua paciente, pronto. E assim, será que a sua deontologia já lhe permite tomar um café comigo?
A resposta veio no mesmo tom de voz, Também não poderá ser, Sr.ª Dr.ª, pelo facto de já ter sido minha paciente.
Ela saiu, sem argumentos, confusa, desiludida e irritada com a sua própria ousadia, (Toma lá, que é para não seres parva e metediça.) e com a firmeza dele (Que presumido, e eu a pensar que ele me tinha em boa consideração e até era meu amigo…).
Passadas duas semanas lá estava ela de novo, na consulta. Envergonhada disse, Desculpe, quero continuar sua paciente. E ele, Muito bem, Maria, faça o favor de se sentar.
Há muito que ela sabia que ele só lhe chamava doutora quando a queria lembrar da necessidade de ser mais responsável e de se auto- policiar.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

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6:25 da tarde  

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