quarta-feira, agosto 03, 2005

Origens.

É reconfortante o aconchego da família.
Passamos tanto tempo a construir a nossa própria família,tão atarefados,tão devotados à família recém-construída que a nossa família de origem vai ficando lá para trás.Corresponde, de certa forma ao nosso ponto de partida, ao nosso passado,e nós temos muita pressa de viver e criar o futuro.Estranhamente,é mais tarde, que a necessidade das origens se faz sentir.E, mesmo com todas as perdas que inevitavelmente já ocorreram é imensamente gratificante o regresso.
Isto tudo a propósito de um dia passado com uma tia e uma tia-avó. Só elas são ainda capazes de nos continuarem a tratar pelo nosso diminutivo de infância e de nos fazerem sentir parte de um todo de que somos peça integrante e importante. Só elas são capazes de nos fazer sentir em casa, mesmo longe da nossa casa.Só elas,para nos fazerem desejar regressar sempre ao meu lugar, à terra onde os nossos trisavós, bisavós, avós e pai nasceram.
Construimos a nossa vida aqui ou ali, às vezes, aqui e ali, mas, quando pisamos o ponto de partida, numa idade mais madura,o círculo parece fechar-se naturalmente.É aquele o lugar onde passado e futuro ainda fazem todo o sentido independentemente do fluir do tempo, porque se trata de um dos poucos espaços que ainda é securizante.