sexta-feira, outubro 14, 2005

Li:

"Finalmente a exigência de amar _ sexualmente e sob outras formas, juntamente com a possibilidade de amar conscientemente _ reside na nossa essência como seres humanos, como elos de ligação na cadeia das gerações. Não conseguimos evitar transmitir este mistério aos que virão depois de nós."
Needleman, Jacob, O Pequeno Livro do Amor, Lisboa, Editorial Bizâncio, 1998, p.120

quarta-feira, outubro 12, 2005

Pequenino

Hoje, durante um pouco mais de uma hora, o meu pequenino neto, aconchegado nos meus braços, sorriu, franziu o narizito, pareceu olhar atentamente as minhas palavras, sussurradas baixinho, aspirou os meus carinhos, a minha mão a percorrer ternamente o seu cabelo castanho, fechou os olhinhos ainda tão pequeninos e aninhou-se sobre o meu peito para dormir um longo e tranquilo sono.
Tive de esperar longos dias para o ver, para o sentir, para que efectivamente firmássemos entre nós os dois o elo do amor.
Também eu tive, e guardo ainda dentro de mim, o amor com que a minha avó materna sempre me envolveu.
E foi levada por uma certa serenidade profunda, madura e cheia de sabedoria ancestral que repeti baixinho que sou a avó e que a avó gosta muito dele.

O Caminho

Atravessei guerras e tempestades, trovoadas e noites sem fim.

Olhei-me, lá fora, desfeita, uma poça de sangue e de dor na berma da estrada. As gentes passavam indiferentes...

Esperei uma manta rota, numa mão generosa, para tapar os meus restos mortais.

Continuei o caminho, o carro ganhou mais velocidade, lá atrás fiquei eu.

O caminho impõe-se. A força renasce.

A menina de grandes olhos curiosos, inocente, olha no retrato a preto e branco, amarelado pelos longos anos. Pobrezinha, que esperaria ela da vida?