O Caminho
Atravessei guerras e tempestades, trovoadas e noites sem fim.
Olhei-me, lá fora, desfeita, uma poça de sangue e de dor na berma da estrada. As gentes passavam indiferentes...
Esperei uma manta rota, numa mão generosa, para tapar os meus restos mortais.
Continuei o caminho, o carro ganhou mais velocidade, lá atrás fiquei eu.
O caminho impõe-se. A força renasce.
A menina de grandes olhos curiosos, inocente, olha no retrato a preto e branco, amarelado pelos longos anos. Pobrezinha, que esperaria ela da vida?

7 Comments:
Texto melancólico, mas sentido.
Um estilhaço de vida em que me vejo também.
Bem regressada à Esfera.
cbs,obrigada por encontrar-me no meu texto. E, embora não me agrade a dor dos outros, uma presença humana esteve no caminho. Bem- haja.
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
O caminho, por mais duro e difícil que se apresente, deverá sempre ser percorrido até ao fim. De outra forma perderemos algo de nós no atalho que escolhermos... Ficaremos para sempre incompletos e inacabados.
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