quarta-feira, janeiro 11, 2006

Pós de PERLIMPIMPIM

Hoje senti a tua falta, queria correr para ti e partilhar contigo a minha felicidade, abraçar-te, dar-te um beijo e ficar a sorrir no teu olhar.
Porque será que um dia temos a nossa idade cronológica e, quando menos esperamos, somos adolescentes cheios de alegria, vivacidade, vontade de correr e saltar?
E ainda, uma grande vontade de espalhar por todos uns pós de perlimpimpim que nos irmanassem nestas coisas?

sábado, janeiro 07, 2006

Sorriso

Bem sei que é teimosia, que já devia ter desistido de esperar, nesta atitude, ora calma e paciente, ora expectante e exigente. Não importa. Recuso-me a desistir. O sentido tem de ter forma, já que este tem essência. Não desisto. Tenho todo o meu tempo. Se o tempo for longo, talvez longa seja a espera. Paciência!... Se for curto este meu caminhar, também isso não é significativo. SEI que, a resposta à minha espera será e estará, sempre, na actualização do sentido.
Continuo à espera.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

A Espada

E querem lá ver que aquele velho cretino e misógino tinha razão quando dizia que o Amor não existe?
Apetece-me puxar da espada (uma dos Templários, se possível), rodopiá-la e cortar-lhe a insana cabeça.

Amigo(s)

Costuma dizer-se que os amigos são para as ocasiões. Mas todos nós sabemos que nem sempre os factos confirmam a proverbial referência. Às vezes os amigos podem não estar disponíveis, podem não compreender até onde vai a nossa real expectativa de auxílio, podem pensar que isto de ser amigo não quer dizer correr para o nosso lado logo que sussurramos qualquer pequena tragédia, podem ainda acreditar que é melhor que cada um lamba as suas feridas na intimidade da sua solidão; ou até achar que não há disponibilidade fora do horário convencional, quando se tem mais que fazer do que aturar os outros e, depois, há limites para tudo.
Depois há os falsos amigos, muita conversa e nenhuma autenticidade, muita curiosidade mórbida, muita inveja e, por detrás de tudo isto, muita vida sem sentido. Destes não há nada a esperar, só a distância que purifica o ambiente. E desejar-lhes uma vida preenchida para que possamos deixar de ser politicamente correctos.
Mas, quando temos um amigo que pode estar muito longe, pode passar anos sem nos ver, pode ser profissionalmente muito ocupado e responsável, mas que atende sempre o telefone quando a vida parece ter desmoronado sobre nós, quando pensamos que ninguém se importa connosco, quando tudo é negro e triste, quando as incertezas e dúvidas nos assaltam, temos que reconhecer que somos, afinal, pessoas de sorte.
E quando nos encontramos, abrimos o coração sem pudor, colocamos as mãos sobre a mesa, sabemos que outras mãos tocarão as nossas, que um abraço secará as nossas lágrimas, que alguém reflectirá connosco sobre o nosso “ terrível” problema. E, quando nos dizem: “ Pareces mais criança do que a tua própria filha!...”, o sorriso reacende-se no nosso rosto. O mimo de que precisávamos inunda-nos e o mau tempo já lá vai.
Deus te proteja amigo! Estamos mais velhos, talvez tu estejas mais sábio, quanto a mim duvido. Mas, mais uma vez, foi bom rever-te, repousar o olhar no teu rosto de barba já toda branca!

domingo, janeiro 01, 2006

O Suave Milagre

Hoje é dia de Ano Novo e, por isso, queria muito deixar um sorriso de esperança, uns restos da festa da noite passada, no rosto de quem possa vir a ler-me.
Mas sou só o que sou. Sou ainda a que tem dores, lágrimas nos olhos e na alma, vontade de ficar quietinha, enrodilhada sobre mim mesma, na minha miséria dos mesmos sofrimentos, revoltas e inquietações.
Mas, estranhamente, sou também aquela que fecha os olhos e deita todas a suas dores na enxerga daquele menino doce de que nos fala Eça em O Suave Milagre. E, como ele, suplico baixinho: “ Mãe, eu queria ver Jesus…”
Quando era criança e lia sem parar, tardes e tardes a fio, na doce quietude do meu quarto, ao chegar a esta parte do texto, com os olhos cheios de lágrimas, um sorriso de felicidade no rosto, um forte aperto na garganta, eu sabia de cor (cor, cordis – coração) que, docemente,(…) “ abrindo devagar a porta e sorrindo” (…) Jesus ia entrar. E bastava, tão somente, que ele dissesse: “Aqui estou.” para que a Alegria, a Paz e o Amor inundassem todo o cenário, o quarto do menino de entre Enganim e Cesareia e o meu quarto, no Porto.
Hoje, ainda me move e comove o mesmo conto. Hoje continuo, muitas vezes, caída no leito pobre e dolorido de entre Enganim e Cesareia, mas sei que Ele vem docemente para me levantar, pôr de novo a caminho, curar as minhas feridas e abrir novas perspectivas para eu continuar.
Feliz Ano Novo para todos vós!